sexta-feira, 18 de maio de 2012

Lagarto-de-água no PN Serra de São Mamede

EXIF

1/20s, f/20, ISO100, -1.7Ev
Mode: A, Meter: Matrix, No Flash, Manual WB
Focal: 180mm
Canon EOS 7D


“Finalmente encontrei” disse o Luís Malheiro às 14:10 H, respirando fundo. Por entre o lodo vê-se a longa cauda em tons claros. Lentamente as impurezas da água começam a assentar e reparamos que se trata de uma fêmea adulta de Lagarto-de-água (Lacerta schreiberi)

A alegria de encontrar um animal que se procura há muito tempo é indiscritível. É certo que o Lagarto-de-Água é uma espécie relativamente fácil de encontrar nalgumas zonas do Norte do país, contudo, a busca até ao momento infrutífera, tinha sido circunscrita ao pequeno núcleo populacional que conhecia existir no Parque Natural da Serra de São Mamede.


EXIF

1/30s, f/3.5, ISO100, -0.3Ev
Mode: A, Meter: Matrix, No Flash, Manual WB
Focal: 180mm

Canon EOS 7D

Segundo dados do ICNB (Janeiro de 2006) estima-se a existência de aproximadamente 115 000 indivíduos concentrados numa única ribeira do Parque Natural, apesar de, até há bem pouco tempo, não saber exatamente qual. Os números parecem tranquilizadores mas acredita-se que a espécie esteja em regressão no nosso país não só nos números populacionais mas também na sua área de distribuição. Pessoalmente, procurava-o desde o início de 2011 em várias ribeiras com nascentes no “coração” da Serra de São Mamede, procurando criteriosamente locais com características semelhantes ao habitat do lagarto de água. Todavia, após longas caminhadas e horas “perdidas”, estabeleci recentemente contactos com alguns biólogos que me forneceram dados concretos sobre a localização do núcleo populacional isolado na Serra de São Mamede. Rapidamente, em equipa com o Luís Malheiro, desenvolvemos esforços no sentido de encontrar este belo animal, criando quadrículas da ribeira onde os acessos seriam possíveis e a busca pudesse ter sucesso.


EXIF

1/60s, f/3.5, ISO100, -1Ev
Mode: A, Meter: Partial, No Flash, Manual WB
Focal: 180mm

Canon EOS 7D


O estudo pormenorizado do terreno, quer através de cartas militares, Google Earth ou através de reconhecimento de carro e a pé, acabou por se revelar decisivo mais tarde. 

Ao longo de vários dias, descemos e subimos vários troços da ribeira sem obter qualquer resultado que deixasse adivinhar a presença do animal, levando-nos a questionar o número de indivíduos e as informações que nos foram fornecidas. 

Porém, hoje definimos mais uma saída de campo que nos levaria a mais dois locais promissores. Durante 2 horas caminhámos ao longo desses locais levantando pedras, caminhando dentro de água por entre o lodo e atentos ao "restolhar" junto da vegetação densa das margens. Nestas passagens encontrámos locais incríveis, paisagens ricas, espaços maravilhosos de vegetação e quedas de água abundantes, mas nem um único lagarto de água.

 

 EXIF 

1/20s, f/20, ISO100, -1.7Ev
Mode: A, Meter: Matrix, No Flash, Manual WB
Focal: 180mm
Canon EOS 7D


Após duas horas e resignados por mais uma desilusão voltámos a um local já visitado à procura de possíveis acessos a outras zonas da ribeira. Enquanto me embrenhei por entre a vegetação, o Luís Malheiro ficou à espera perto do carro num local improvável de ocorrência da espécie mas foi precisamente nesse local que ele viu esta fêmea saltar para dentro de água e disse-me: “Finalmente encontrei!”



EXIF

1/50s, f/5, ISO200, -1.3Ev
Mode: A, Meter: Matrix, No Flash, Manual WB
Focal: 180mm

Canon EOS 7D





 

6 comentários:

JM disse...

Brilhantes fotos!

Diogo Oliveira disse...

EXCELENTES!!! Eu sei que preferias um macho, mas há mais registos de machos do que de femeas ;)

joaquim disse...

Parabéns por mais este excelente trabalho e,obrigado por me aguçar o apetite nesta área.Aquele abraço.

Carlos Rio disse...

Soberbas fotogafias.

Daniel Ludgero disse...

Bom trabalho Ricardo
A primeira foto tá digna de capa de revista. É a minha preferida :)
Cumps
DL

Tânia disse...

Valeu bem a pena a longa procura! Uma belíssima série. Parabéns!